Como se tornar um profissional da área de dados

Power BI · 5 min de leitura

Em resumo

O primeiro passo para a área de dados não é trocar de emprego, e sim usar os dados que você já tem no trabalho atual: descubra o que a liderança precisa acompanhar, construa painéis que resolvam isso, acumule projetos e leve a mesma lógica para áreas vizinhas. Assim a transição acontece com resultados para mostrar.

Como se tornar um profissional da área de dados

Muita gente acha que só trabalha com dados quem é cientista de dados, analista de BI ou alguém da TI. E que, para entrar nessa carreira, é preciso largar o emprego atual e recomeçar do zero. Não é bem assim. Você provavelmente já trabalha com dados; só ainda não percebeu, nem estruturou isso de um jeito que gere valor e reconhecimento.

Neste artigo você vai entender o caminho mais prático para se tornar um profissional da área de dados: começar pela sua área atual, ganhar espaço com a liderança, acumular projetos e, a partir deles, fazer a transição com muito mais bagagem.

Caso prefira aprender por vídeo, veja o vídeo abaixo:

O caminho em 4 etapas

  1. Enxergar os dados que já existem na sua área;
  2. Descobrir o que a sua liderança quer acompanhar;
  3. Construir os primeiros painéis e projetos;
  4. Expandir para áreas vizinhas e usar o portfólio para a transição.

Etapa 1: você já trabalha com dados

Poucas empresas têm uma área de dados grande o bastante para atender todo mundo. O que mais acontece é o chamado self-service BI: cada área pega os dados que já tem e monta os próprios painéis no Power BI, consulta bancos de dados com SQL, cria as próprias análises. Ou seja, a demanda por quem sabe trabalhar com dados já existe dentro de cada área.

Veja exemplos de dados que já estão na sua mão:

ÁreaDados e indicadores
ComercialConversão, ticket médio, número de oportunidades, taxa de agendamento, taxa de no-show (leads que faltam às reuniões)
RHAdmissões, demissões, turnover, absenteísmo, cargos e salários, tempo médio de casa, férias vencidas (people analytics)
FinanceiroDRE, contas a pagar, contas a receber, tesouraria, fluxo de caixa
MarketingCusto por lead, conversão de campanhas, origem dos clientes
OperaçõesPrazos, produtividade, estoque, retrabalho

Se a sua equipe inteira está ocupada só com o operacional e você é a pessoa que consegue organizar e analisar esses números, você já está trabalhando com dados, mesmo sem o cargo.

Etapa 2: descubra o que a liderança quer ver

Não adianta montar um painel bonito que ninguém usa. O espaço para construir aparece quando você resolve um problema da sua liderança. A pergunta-chave é: o que o meu gestor gostaria de acompanhar toda semana e hoje não consegue?

A forma mais direta é perguntar. Algo como:

Quero desenvolver mais a minha parte analítica e pensei em montar um painel no Power BI para a nossa área. Quais indicadores você acompanha hoje que ainda não estão estruturados? Podemos marcar uma conversa para você me mostrar o que gostaria de ver?

Repare no que essa conversa comunica: proatividade, interesse e a direção de carreira que você quer seguir. E você está oferecendo algo que facilita a gestão do seu líder. Quando ele percebe o valor, é comum abrir espaço na sua agenda (tirando um pouco do operacional) para você construir.

Etapa 3: construa os primeiros projetos

Comece pequeno e útil:

  • Um painel com os três a cinco indicadores que o gestor mais pede;
  • Atualização confiável (de preferência automática, conectada às planilhas ou sistemas);
  • Apresentação curta, mostrando o que mudou e que decisões ficam mais fáceis.

Cada painel entregue vira reconhecimento e uma história para contar. Documente: qual era o problema, o que você construiu, que ferramentas usou e qual foi o resultado (tempo economizado, decisão tomada, erro evitado).

Etapa 4: expanda para áreas vizinhas

Projetos que dão certo chamam atenção. No vídeo, o professor conta a própria experiência numa seguradora: primeiro automatizou processos da área dele, precificação. Depois, foi chamado por áreas que conversavam com a dele para projetos conjuntos, como automatizar a precificação e também a geração das propostas comerciais. Passou a ser conhecido na área comercial e na própria.

É assim que o portfólio cresce: projetos na sua área, depois projetos com áreas correlatas, cada vez com mais impacto e visibilidade.

A transição acontece naturalmente

Com esse histórico, você tem dois caminhos:

  • Dentro da empresa: todo mundo já sabe que você desenvolve projetos de dados. Se abrir uma vaga na área de dados, você é o candidato natural;
  • Num processo seletivo: em vez de mostrar só um certificado, você conta casos reais, com problema, solução e resultado. Você só não tinha o cargo formal de analista, mas já fazia o trabalho.

Por onde começar a estudar

Para dar os primeiros passos com a ferramenta mais pedida nessas situações, o Power BI, a Atuar tem dois minicursos gratuitos:

Excel bem dominado, Power BI e, depois, SQL formam a base técnica da maioria das vagas de dados.

Perguntas frequentes

Preciso de formação em TI para trabalhar com dados?

Não. Muitos profissionais de dados vieram de áreas de negócio (comercial, RH, finanças) e se destacam justamente por entender o contexto dos números.

O que é self-service BI?

É quando as próprias áreas de negócio criam seus painéis e análises com os dados disponíveis, sem depender de um time central de dados para tudo.

Como montar um portfólio na área de dados?

Com projetos reais: registre o problema, a solução que você construiu, as ferramentas e o resultado. Projetos da sua própria área contam muito.

Quais ferramentas aprender primeiro?

Excel, depois Power BI (incluindo Power Query e DAX) e então SQL.

Conclusão

O primeiro passo para a área de dados não é mudar de emprego: é usar os dados que você já tem. Descubra o que a liderança precisa, construa painéis que resolvam isso, acumule projetos e expanda para outras áreas. Quando a oportunidade aparecer, você vai ter muito mais para mostrar do que um curso: vai ter resultados.

Bons estudos e até o próximo conteúdo! 🚀

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